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segunda-feira, 26 de março de 2012


Existe essa coisa como realismo no escrever, ou em outra espécie de arte, e o realismo em arte é possível? Não será a palavra 'realismo' em si mesma uma contradição quando aplicada a qualquer forma de arte, quer forma de expressão humana consciente e controlada? Pode-se também dizer que essa palavra está em contradição quando aplicada mesmo na suposta descrição de fatos numa coluna de jornal ou numa reportagem. O que é arte? Será a expressão humana consciente, controlada e dirigida em todas as suas miríades de manifestações, em nível alto ou baixo, movimentado ou parado, com ou sem valor, permanente ou efêmero? E o que é realismo?

' Esta é uma pergunta grande, porque o que nós estamos perguntando é o que é a vida? E tendo decidido - o que não conseguimos - estamos fazendo a nós mesmos uma pergunta igualmente grande. Qual é a relação entre a arte e a vida? Qual a conexão? o cordão umbilical? E por que a arte pula da vida? e quase no mesmo tempo? e inevitavelmente? Porque nada é mais claro, ou mais provado pela História e pela Antropologia, que o homem, mal começa a sê-lo, exibe a urgência de exprimir artisticamente. Não estava satisfeito com a forma das coisas como são, e começava a moldá-las cruamente. Depois de um tempo - em comparativamente o pequeno espaço de algumas centenas de milhares ou milhões de anos - tornou-se bastante bom, começou a pintar em paredes, a escavar intricados desenhos em ossos. 


                                                                                                         Clarice Lispector 

"Cuide-se como se você fosse de ouro...Ponha-se você mesma de vez em quando numa redoma e poupe-se."

Clarice Lispector

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012


Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe a sua roupa de viver.


                                                                          Clarice Lispector

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"...


                                                                        Clarice Lispector